O dia em que o Papa ficou sozinho diante de um mundo em silêncio

A praça que já segurou o peso de 300 mil almas tinha apenas uma. De branco, pequeno e contra a pedra imensa, ele caminhava. Os passos ecoavam no vazio e cada gota de chuva riscava o chão como se o mundo inteiro tivesse ido embora.

Uma cadeira vazia esperava. Um púlpito calado. A luz cortava a escuridão como uma vela acesa no fim do mundo. Ele não falava para multidões. Falava para o medo. Falava para as janelas fechadas, para os hospitais lotados, para cada casa transformada em ilha. Era só um homem, mas carregava o silêncio de todos.

Naquele dia, o Vaticano não teve ouro nem guarda. Teve chuva, pedra e solidão. E foi quando ele estava mais sozinho que o mundo inteiro se sentiu menos só. A praça vazia gritou mais alto que qualquer multidão: às vezes, a maior presença cabe inteira numa ausência.

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