A história de Roque José Florêncio, conhecido como Pata Seca, vive entre o que a memória registra e o que os documentos jamais conseguiram contar. Grande parte do que se sabe sobre ele vem da tradição oral preservada por familiares e comunidades locais, que relatam que seu porte físico extraordinário, ele teria medido cerca de 2,18 metros, acabou sendo usado como justificativa para uma exploração ainda mais cruel dentro do sistema escravagista.
Segundo esses relatos, Pata Seca teria sido forçado a gerar descendentes para ampliar o número de escravizados nas fazendas após o fim do tráfico transatlântico, uma prática que, embora raramente documentada de forma oficial, é reconhecida por pesquisadores como uma das estratégias de manutenção da mão de obra no período.

A vida de Roque atravessou mais de um século, e dizem que ele chegou aos 130 anos, falecendo em 1958, um detalhe que o torna ainda mais singular na história. Já o número de filhos atribuídos a ele, supostamente mais de duzentos, permanece como um símbolo de sua trajetória.
Não há registros formais que confirmem essa contagem, o que não surpreende, considerando que crianças nascidas na escravidão muitas vezes não eram registradas, tinham documentos adulterados ou simplesmente eram apagadas dos arquivos oficiais. Assim, o número expressivo que circula nas narrativas familiares não deve ser lido como uma estatística exata, mas como a marca da exploração reprodutiva a que ele teria sido submetido.
